segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Um personagem diferente

Essa entrevista teve outro ar. Diferente das outras conversas, o encontro com Marco Almeida aconteceu sob a luz do dia. O lugar escolhido foi seu escritório casa, ou casa escritório. Uma casa antiga no bairro tradicional de Santa Rosália. Por fora o lugar não revela o bom gosto do dono, um homem que conhece o lado bom da vida. Chegamos juntos com Marco, ele veio de São Paulo para nos atender. 


Quando entramos em seu recanto percebemos que as impressões passadas sobre ele eram verídicas. Um homem que gosta demais do que é bom, e isso às vezes poluí o ambiente. Educadas, de conversa boa e um ar de quem tem sempre alguma novidade na ponta da língua - assim são as pessoas ao redor de Marco. 


Ele gosta de falar e contar histórias - suas e de seus amigos famosos. Ele descreve o que acontece no mundo e no mercado musical,  mas é ponderado ao falar que não entende da música de massa. Dessa, ele prefere manter distância. As melodias fáceis, os refrões grudentos e a vulgaridade dos ritmos do carnaval do nordeste passam longe de seu rádio. Ele prefere as notas trabalhadas, as vozes precisas e a poesia da música. Ele não mistura seu trabalho com rostinhos bonitos, ele prefere a cara marcada pelos anos de labuta. Para ele o sucesso não nasce do dia para noite, é fruto que precisa ser cultivado pelo tempo.


Marco tem vocabulário sofisticado, hábitos refinados, mas como todos os mortais, possuí um lado que demora a revelar. Mesmo desconsiderando a cultura de massas, ele assume que quase se atrasou em um compromisso para não perder um capítulo do folhetim das oito. Tudo bem Marco, isso não desmerece seu trabalho, pelo contrário, te torna mais humano.

1 comentários:

Mari disse...

Oi, Tai!
Primeira vez por aqui... muito bacanas os seus textos! :)
Beijão